inês botelho

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Aqui ficam pequenas notícias, pequenos apontamentos, pequenas linhas apenas.

 

Fórum Fantástico – Na sua quinta edição, o evento realiza-se este ano entre 2 e 5 de Outubro na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa. Versando sempre vários subgéneros do fantástico (épico, non-sense, ficção científica, imaginário, horror, história alternativa…) desta vez a iniciativa estende-se a outras áreas para além da literatura, com especial enfoque no audiovisual. Serão projectadas diversas curtas-metragens com presença dos respectivos realizadores. Efectuar-se-á ainda uma homenagem ao cineasta e escritor António de Macedo. A restante programação inclui lançamentos e apresentações de livros, palestras, debates e muito mais. Quatro dias que se adivinham plenos de bons e enriquecedores momentos.

Setembro de 2008

 

 

 

A Bruxa de Oz – Primeiro livro do autor Gregory Maguire destinado a um público adulto foi editado em 1995 sob o título Wicked: The Life and Times of the Wicked Witch of the West e é um dos melhores livros de fantasia que li nos últimos tempos. Reentra-se no mundo criado por Frank L. Baum em O Feiticeiro de Oz, mas desta vez pelo ponto de vista de Elphaba, a dita Bruxa Má do Oeste, mulher fascinante, peculiar e particular, que de forma quase obstinada insiste ser desprovida de alma. Seguindo a sua história, do nascimento aos anos universitários e ao inevitável encontro com Dorothy, o livro vagueia por entre política, filosofia, religião, no seu todo por uma reflexão que visa tanto a origem do mal como aquilo que somos, o que nos rodeia e a forma como a História se cria. Com o aproximar do desfecho, desponta a loucura da Bruxa, os seus gestos exagerados e obcecados. É, contudo, um fim precipitado, de ritmo demasiado apressado, que se converte na grande falha da obra.

Dez anos após a publicação de Wicked, Maguire editou a continuação: Son of a Witch (em português, O Herdeiro de Oz), igualmente cativante e merecedor de atenção, mas já sem algum do poder encantatório do original. A trilogia ficará completa este Outono, com o anunciado A Lion Among Men.

Julho de 2008

 

Wicked – Com libreto de Winnie Holzman e música e letras de Stephen Schwartz é a adaptação a musical da obra homónima de Gregory Maguire. Estreou na Broadway na noite anterior ao Halloween de 2003, tendo internacionalmente apresentações regulares em Londres, Tokyo, Estugarda e Melbourne. Vi-o há alguns meses em Londres interpretado por um muito recomendável elenco encabeçado por Kerry Ellis e Dianne Pilkington. Ainda não lera o livro e a experiência daquela noite fez-me regressar com o interesse espicaçado. Não demorei a saciá-lo e, contrariamente ao que é habitual, gostei de conhecer primeiro a adaptação e depois o original; evitou que me aborrecesse com as alterações feitas ao livro em prol da transposição para a linguagem típica dos musicais. As duas obras têm diferenças substanciais de enredo e caracterização de personagens. O enfoque distinto de uma e de outra está aliás bem patente nos subtítulos. Se no trabalho de Maguire se lê The Life and Times of the Wicked Witch of the West, no musical figura The Untold Story of the Witches of Oz. Converteu-se a ideia base numa bem-intencionada história de amizade improvável, ainda com a sombra de uma ditadura, mas com todas as questões do livro atenuadas e simplificadas. O próprio fim é condescendente, modificado para talvez melhor agradar à audiência infanto-juvenil que comparece aos espectáculos mascarada de Glinda ou Elphaba. Wicked: The Untold Story of the Witches of Oz é um musical competente e agradável se encarado independentemente do livro em que se baseia, e uma certa distância nestes casos é sempre aconselhável. Fala-se numa adaptação do musical a filme. Preferiria sem dúvida uma transposição do livro, mas a primeira hipótese é de mais fácil digestão.

Julho de 2008

 

 

 

Bang! – Após os três primeiros números editados em formato convencional, a Bang! passou a estar disponível on-line gratuitamente. A aposta continua a ser englobar diversos temas e subgéneros do Fantástico, expondo-os em contos, ensaios, resenhas e entrevistas. O número quatro, lançado há pouco tempo, contém uma história minha: A Encomenda. Trata-se de uma incursão a um tipo de Fantástico distinto do abordado na trilogia. Aos possíveis curiosos, está feito o convite.

Maio de 2008

 

 

Deuxième – Poderia aproveitar a oportunidade e expandir-me num lamentoso e revoltado requiem à extinta Première. Contudo, o povo afere que é inútil carpir o leite derramado, pelo que, apesar de nada ser dito sobre a atitude a adoptar para com quem o derramou, prefiro dedicar-me ao blog que acompanhou os últimos e insuspeitos meses da revista e que se mantém ainda activo. Actualizado diariamente, é da responsabilidade de uma equipa devota à sétima arte e também a fazê-la chegar a um público mais vasto. Não se pretende substituir a revista, muito menos se procura esquecer a sua falta, contudo, tenta-se talvez minimizar o facto, explorando outras formas de divulgar as diversas novidades, de emitir opiniões e críticas, de relembrar quem e o que compõe a história do cinema. O curioso é que algures nos meandros do processo, por entre a perda, se ganhou algo.

Dezembro de 2007

 

 

 

 

 

 

 

Olho de Gato – Publicado pela primeira vez em 1988 é considerado por muitos o romance mais autobiográfico da canadiana Margaret Atwood, embora a autora seja categórica ao afirmar que este é um livro de ficção, não uma autobiografia. Tenho as minhas previsíveis inclinações sobre o assunto. De qualquer forma, o livro é bem mais importante do que as muito batidas e nem sempre válidas questões das influências. A história é narrada por Elaine Risley, pintora, mãe, mulher, filha, outrora criança numa Toronto que a atormentou e donde fugiu. Vários anos decorridos, regressa para uma retrospectiva do seu trabalho. Percorrendo de novo os espaços de Toronto, tão mudados fisicamente e para Elaine ainda a exalar as mesmas sensações, a trama ganha forma, começando na infância da protagonista e avançando até ao presente narrativo. São as memórias de Elaine, o que ela recorda e como o recorda. Muito me surpreendeu neste livro, desde a escrita vibrante e a seu modo onírica até às diversas temáticas que continuam a rodear-nos e mantêm a obra actual. Uma pena que já não se consiga encontrar a edição portuguesa à venda.

Dezembro de 2007

 

Katie Melua – Descobri esta cantora por mero acaso e as suas músicas e voz depressa me cativaram. As canções têm algumas sonoridades de jazz e mantêm um bom equilíbrio entre melodias calmas e mais movimentadas, sem incorrerem em exageros eufóricos, a que Katie Melua atribui uma entoação suave, mas sempre enérgica e vivaz. Melua nasceu em 1984 e estudou na Brit School of Performing Arts, tendo-se formado em Julho de 2003. Em Novembro desse ano saiu o seu primeiro CD – Call off the Search – seguido em Setembro de 2005 por Piece by Piece. Em Abril deste ano tinha ganhado o Best Internacional Newcomer nos prémios alemães ECHO. Para Outubro de 2007 está já agendado o lançamento de mais um álbum: Pictures.

Julho de 2007

 

 

 

Festival de Jardins de Ponte de Lima – Realiza-se pela terceira vez este ano, tendo como tema O Lixo na Arte dos Jardins e pode ser apreciado até Outubro. O recinto, situado ao lado da piscina municipal, está dividido em doze parcelas, onze reservadas aos finalistas deste ano e uma ao jardim vencedor da edição anterior. Existem jardins para quase todos os gostos, mais ou menos relacionados com o tema, mais ou menos conseguidos, mas sempre constituindo uma experiência interessante. No final do percurso, os visitantes são convidados a votar no jardim de que mais gostaram. O que acumular mais votos estará presente no Festival do próximo ano, que já tem tema: Energias no Jardim. Fica a sugestão para um passeio por um conceito diferente de jardim.

Julho de 2007

 

Roma – Uma parceria da HBO com a BBC rodada nos lendários estúdios da Cinecittá, em Roma, as duas épocas da série traçam a queda da República romana e a ascensão do Império. A primeira época acaba com a morte de Júlio César e a segunda retoma a acção nesse ponto e segue o percurso de Marco António e Octávio. Ao mesmo tempo e com a mesma relevância, tal como acontecera na primeira época, acompanha as peripécias e desventuras de Lucius Vorenus e Titus Pullo, dois antigos soldados da 13ª legião que, de alguma forma, se entranham constantemente nos destinos de Roma. O impressionante e cativante enredo resulta de uma combinação bem proporcionada de intrigas políticas, acontecimentos de alcova, acasos, interesses contrários e uma jogatina muito pouco escrupulosa por parte das personagens para atingirem o que desejam e mais lhes convém. Os criadores da série são Bruno Heller, William Macdonald e John Milius (um dos argumentistas de Apocalypse Now). Visualmente muito rica e cuidada, Roma dá a conhecer um lado mais cru, sujo e provavelmente realista da sociedade romana, que muitas vezes se perde na parafernália de Hollywood. Todo o elenco tem uma prestação acima do normal, mas não posso evitar frisar o trabalho de Max Pirkis como o jovem Octávio, Ciarán Hinds no papel de César e Polly Walker como a impetuosa Átia, mãe de Octávio e sobrinha de César.

Julho de 2007

 

 

 

À Manhã – A peça, uma co-produção do Teatro Meridional e do São Luiz Teatro Municipal com texto de José Luís Peixoto, encenação de Natália Luiza e Miguel Seabra, e cenários de Rui Francisco, leva-nos ao Alentejo. Não apenas ao Alentejo dourado, calmo, vivendo num ritmo e convivência próprios, mas também ao linguístico, aos “bocanços” e às conversas de ombreira de porta. Aqui fala-se de tudo e de nada, de solidão e esperança, de passado e um pouco de futuro, e sai-se do espectáculo confortado, porventura silencioso, sorridente. Como dizia alguém quando o pano caiu: é uma delícia.

Junho de 2007

 

His Dark Materials – Composta por Os Reinos do Norte, A Torre dos Anjos e O Telescópio de Âmbar, é sem dúvida a obra mais conhecida de Philip Pullman. A trilogia começou a ser publicada no Reino Unido em 1995 e desde então foi já adaptada ao teatro por diversas vezes. Este ano, em Dezembro, chegará a transposição cinematográfica; dificilmente se poderá equiparar aos livros, mas acalento a esperança de que conserve, pelo menos, a essência de uma ideia tão genial quanto ousada. Os livros, premiados por diversas vezes, são a prova de que ciência e fantástico combinam. Mas não é apenas a história que fascina, também as personagens, obrigando-nos constantemente a redefinir o que julgamos saber delas, nos agarram à trama. Apesar de protagonizado por crianças, não se limita a um público infanto-juvenil; talvez seja até mais interessante para um adulto. Contudo, acima de tudo, é um excelente livro e, como todos os que se integram nessa categoria, não está sujeito a restrições de tipo, género ou idade.

Junho de 2007

 

 

 

Manuel Araújo – Nascido em 1983, em Vila Nova de Gaia, este jovem pianista iniciou os estudos musicais aos cinco anos com os professores Norma Graça-Silvestre e Felipe Nabuco Silvestre. Diplomou-se em 2005 sob a orientação de Aquiles Delle Vigne, com quem trabalhou posteriormente como professor assistente e com quem está a preparar o mestrado na Codarts – Universidade das Artes de Roterdão. Foi distinguido com diversos prémios, tanto nacionais como internacionais, e participou em várias masterclasses onde teve a oportunidade de contactar com reputados professores e intérpretes. Iniciou a carreira de concertista profissional em 2000, após obter por unanimidade o 1º Prémio Nacional de Jovens Pianistas da Fundação Rotária Portuguesa, presidido e dedicado a Helena Sá e Costa. Desde então, actuou em Portugal, Itália, Bélgica, Holanda, Brasil e Macedónia. Para 2006/2007 estão previstos concertos em todas as cidades holandesas e em S. Petersburgo, numa parceria com o coreógrafo Ton Simons e a companhia Dance Works, em que interpretará catorze Prelúdios e Fugas do primeiro livro de Cravo Bem Temperado de Bach. No passado dia dezoito de Março, deu um concerto de despedida do Inverno na Fundação de Serralves. Há muitos anos que lhe conheço (e reconheço) o virtuosismo, mas naquele domingo a sua interpretação do Trois mouvements de Pétrouchka de Stravinsky conseguiu mais do que cativar-me: encantou-me. Correndo, talvez, o risco da parcialidade, aplaudo de pé. Bravo. Espero, não sem um pouco de ansiedade, pelos próximos concertos.

Abril de 2007

 

Cats – Adaptado da obra de T. S. Eliot Old Possum’s Book of Pratical Cats, é um dos musicais de Andrew Lloyd Webber mais amados e aplaudidos. Estreou em 1981, em Londres, e foi diversas vezes distinguido como Melhor Musical. Para além de sete Tony Awards (1983) ganhou prémios em França, Canadá e Japão, entre outros. Ao longo do espectáculo são-nos apresentados os Jellicle, uma comunidade de gatos tão peculiar quanto qualquer outra sociedade. As músicas que os introduzem e caracterizam têm maravilhado milhões e é provável que o continuem a fazer. Eu, pelo menos, não me esquecerei de Memory, nem de muitas outras.

Abril de 2007

 

 

 

Exposição Star Wars – Depois de São Francisco, Milão e Paris, o universo Star Wars chega a terras lusas, primeiro ao Museu da Electricidade, em Lisboa, e depois à Exponor, no Porto. Desconhecendo a forma como a exposição foi organizada no Porto, o espaço escolhido em Lisboa pareceu-me ideal para apresentar Star Wars aos portugueses. A arquitectura do museu fundia-se com os cenários da saga e não era difícil imaginar que estávamos nas entranhas das fábricas de Geonosis, ou nos recônditos da Estrela da Morte. Uma exposição a não perder por todos os fãs da série e pelos que se predispuserem a conhecer este mundo de muitos mundos.

Março de 2007

 

Câmara Clara – Todos os domingos à noite, na RTP2, Paula Moura Pinheiro conduz uma conversa sobre os mais variados assuntos. A cada programa está associada uma temática que os convidados irão explanar e explorar, levando muitas vezes o espectador para uma autêntica descoberta e aventura cultural. Pequenas peças sobre diversos eventos ligados às artes completam e, por vezes, apimentam os diálogos. Destaque ainda para o cenário simples e de tons agradáveis que se articula com o bom ambiente das conversas e as propicia.

Março de 2007

 

 

 

Sergei Rachmaninoff – complete works for two pianos – Poucos compositores me conseguem sugerir imagens (e histórias) tão assídua e insistentemente quanto Rachmaninoff. As melodias são frequentemente tempestuosas, por vezes atormentadas, a tempos algo melancólicas, quase nostálgicas, sempre inebriantes. Compositor russo de finais do séc. XIX e início do séc. XX, Rachmaninoff bebia inspiração de diversas fontes, entre elas a poesia, algo patente em alguns dos títulos das suas obras. Era não só um extraordinário compositor como também um exímio intérprete, tendo ganho a admiração e protecção de Tchaikovsky. As suas peças revestem-se de uma conhecida dificuldade técnica, mas igualmente de uma beleza inegável. Este CD reúne os seus trabalhos para dois pianos, interpretados pelo casal Nina Schumann e Luís Magalhães, ambos vencedores de diversos prémios e professores no Departamento de Música da Universidade de Stellenbosch, na África do Sul. Juntos formam o duo Magalhães-Schumann que tem actuado em diversos países.

Fevereiro de 2007

 

Reino da Escrita – Poderão encontrar-me no tópico Banco de Pedra deste fórum dedicado preferencialmente à escrita e ao que com ela se relaciona. Nesse espaço, onde também participam as autoras Juliet Marillier e Sylvia Louise Engdahl, o caminho está aberto para a conversa e qualquer questão que nos queiram colocar. Uma última nota para o facto de este ser um fórum dinamizado por um grupo muito jovem.

Setembro de 2006

 

 

 

Magnólia – Este é possivelmente o meu filme favorito. Realizado por Paul Thomas Anderson é uma história de desencontros, coincidências (ou talvez não) e encontros. Dez personagens chocarão umas com as outras, cruzar-se-ão e verão o passado surgir-lhes à frente, exigindo-lhes o presente. Intenso e marcado por excelentes interpretações de um elenco exemplar, é um filme onde as emoções se insinuam com força crescente, ao som de uma banda sonora que prolonga as personagens.

Setembro de 2006

 

 

 

 

 

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