inês botelho 

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Aqui ficam pequenas notícias, pequenos apontamentos, pequenas linhas apenas.

 

 

 

Lágrimas na Chuva - Na Madrid de 2109 dos Estados Unidos da Terra há replicantes a enlouquecerem, matando ferozmente e suicidando-se em seguida. A detective privada Bruna Husky, uma replicante de combate, vê-se envolvida nos acontecimentos e enquanto investiga descobre uma situação cada vez mais intrincada e perigosa onde múltiplos intervenientes lutam por diferentes interesses.

Ainda que o livro aluda declaradamente a Blade Runner (1982), o universo desenvolvido por Rosa Montero não é nem uma adaptação nem uma continuação do filme de Ridley Scott e muito menos de Do androids dream of electric sheep? (1968) de Philip K. Dick. Tecem-se pequenas homenagens, mas no fundo usa-se apenas o conceito dos replicantes e expande-se a ideia da implementação de memórias, uma questão fundamental para a trama e um dos temas centrais da obra, fonte tanto de angústia como de satisfação. Luta-se para discernir as lembranças verdadeiras das falsas, sofre-se com o que se recorda e percebe-se que a memória é essencial à vida. Ao mesmo tempo a inevitabilidade da morte apresenta-se como uma aberração, capaz não só de obcecar mas também de controlar raciocínios e actos. A noção de efemeridade trespassa o texto, marcando as relações interpessoais e a existência dos próprios indivíduos. Apenas os jogos de poder político parecem perdurar.

Montero sabe acentuar estas temáticas, inserindo-as numa narrativa viciante ambientada num futuro suficientemente credível e interessante. Contudo, o uso de pretensos textos de arquivo para estabelecer os pressupostos da sociedade, embora sirva o enredo, apresenta a informação de forma pouco orgânica e algo deselegante. De modo semelhante, as características intrínsecas dos replicantes revelam-se demasiado humanas, tornando-os diferentes mais no estatuto do que na essência, algo particularmente notório em Bruna. E os eventos, tão perturbadores e incendiários, ao circunscreverem-se a Madrid perdem força pois não se percebe qual o seu impacto ou relevância mundiais.

Lágrimas na Chuva desaproveita parte do potencial da realidade que constrói, mas permanece um livro de ficção-científica bem construído, propulsionado por uma trama policial cativante. E por entre o virar de páginas imprime algumas dúvidas e inquietações.

resenha originalmente publicada em Julho de 2012 na Bang! 13

 

Para cima e não para norte - Quando um Homem Plano intui a existência de um Mundo ExtraPlano, habitado por Homens Espaciais capazes de contactarem directamente com o Mundo Plano, decide mudar o mundo que habita. Confrontado com a resistência dos concidadãos, o Homem Plano opta por se alterar a si próprio. Esta é a história dos seus esforços para se tridimensionar.

Logo desde a maravilhosa dedicatória, Para cima e não para norte propõe-se pensar, de forma algo alegórica e certamente não linear, sobre a ficção e a sua influência. Durante a primeira parte o Homem Plano apresenta a realidade que habita e explora-a, desconstrói-a, já não se limitando a deslizar por letras e palavras mas atribuindo-lhes também um significado, aprendendo a ler a diferentes níveis. Apesar de tanto as experiências que elabora como as descobertas a que chega serem menos inovadoras do que supõe, estas provam-se essenciais à sua evolução, mesmo quando o conduzem a erros de percepção. E progressivamente passa-se da esfera individual para a social, dos efeitos que a ficção pode exercer sobre cada um para as suas diversas e vastas influências nas civilizações. Se a segunda parte se revela uma delicada e intrincada reflexão sobre as consequências de querer ser visto e receber atenção, estabelecendo ligações quer com a televisão quer com o terrorismo, a terceira avança por uma situação desenfreada com todas as subtilezas, reviravoltas e conclusões tragicómicas da contemporaneidade. A partir de um discurso televisivo tão hilariante quanto preciso, surgem ecos das reacções da opinião pública, das instituições governamentais, dos políticos, dos académicos, dos anónimos apanhados no fluxo dos eventos; espelha-se toda a sociedade que nos forma e somos.

Patrícia Portela apresenta desde o início as premissas que sustentam a vida do Homem Plano e não só as explica bem como as desenvolve e distende. Além disso, serve-se activamente do grafismo do livro para auxiliar a compreensão e enriquecê-la.

Para cima e não para norte afirma-se pleno de originalidades, diversões, diferentes leituras, e termina a sugerir novos princípios.

resenha originalmente publicada em Março de 2012 na Bang! 12

 

 

 

Mythago Wood - Após a Segunda Guerra Mundial, Stephen Huxley regressa à casa de infância na orla do misterioso Ryhope Wood, o bosque de carvalhos que consumiu a existência do pai George e atrai inexoravelmente o irmão Christian. Também Stephen acabará imerso nos mecanismos do bosque, apaixonado por Guiwenneth, obsessão dos homens Huxley e personagem mitológica, um mitago.

Publicado em 1984, Mythago Wood desenvolve-se sobre a premissa de um bosque primordial, resistente à exploração e em última análise inconquistável, onde se geram representações carnais das figuras do imaginário colectivo britânico provenientes das mais diversas épocas: mitagos. Ainda que os Huxley procurem entender os mecanismos deste processo, limitam-se sempre a aflorar a questão. Por muito que desenvolvam as explicações e as dotem de um certo cunho científico, não conseguem controlar a situação nem compreender até que ponto as suas histórias se relacionam e ligam com as dos mitagos. O bosque reina sobre tudo e todos os que o rodeiam, afirmando-se como um protagonista em si mesmo, algo que a sequência narrativa evidencia. Quando Stephen e Christian se esforçam por descobrir respostas, nunca as encontram; elas chegam a um ritmo e sentido de oportunidade próprios. Ademais, o bosque actua sobre os humanos que com ele se relacionam, modificando-os e até incorporando-os. Prevalece sempre a  vontade da terra.

Robert Holdstock condiciona a maioria da história ao ponto de vista de Stephen, mas ao adoptar uma estrutura narrativa que se serve de cartas e diários de terceiros, permite uma compreensão ampla das personagens. Além disso, estas crescem, modificam-se, impedindo definições fixas e contradizendo tanto preconceitos quanto expectativas. De modo semelhante, o enredo avança em cadências alternadas, ora calmas ora apressadas, que, conjugadas com uma linguagem cuidada e escorreita, ajudam à imersão nos eventos e conflitos.

Mythago Wood respira mitologia celta sem se esgotar nela e embora evite os usos habituais deste tipo de temáticas não tenciona negá-los, preferindo reinventá-los. O resultado é uma obra original, surpreendente, prenhe de maravilhoso e interesse.

resenha originalmente publicada em Outubro de 2011 na Bang! 11

 

The Bloody Chamber - Dez contos de estrutura variável, uns narrados na primeira pessoa outros na terceira, com ambiências diversas, finais imprevisíveis e todos baseados em contos de fadas ou contos populares. Editado em 1979, The Bloody Chamber venceu no mesmo ano o prémio do Festival de Literatura de Cheltenham e tem-se convertido na obra mais conhecida de Angela Carter.

Se a qualidade dos contos não é uniforme, eles conseguem ainda assim escapar à mediania e conservar sempre um nível elevado que desafia o leitor, convocando-o a mergulhar nas narrativas tanto quanto o questiona ou surpreende. Carter demonstra um exímio controlo da estrutura do conto, manipula-a com precisão e subtileza, ora servindo-se do estilo do conto original para melhor lhe subverter a retórica, ora adoptando formatos novos. De facto, recorrendo-se de um humor fino e de uma ironia perspicaz, Carter não só revoluciona o material base como cria novas histórias.

A linguagem luxuriante, evocativa e encantatória molda-se às várias narrativas e articula-se com elas, realçando-lhes tanto a sensualidade como a sexualidade iminente. E esta relaciona-se intimamente com a figura feminina, presença incontestável em The Bloody Chamber, dotada de diversos corpos e personalidades. As mulheres são aqui de muitos tipos, mas nunca lineares, ainda que o possam parecer numa primeira impressão. Elas impregnam os contos, o que depressa  associou o livro ao feminismo. No entanto, ele não se esgota nessa questão, antes transcende-a, afirmando-se absolutamente literário, com um texto rico, dotado de várias camadas, aberto à pluralidade de leituras e predisposto a impedir que algo fique intacto.

Carter escreveu certa vez que gostava de colocar vinho novo em garrafas velhas, em especial quando a pressão do vinho fazia a garrafa explodir. Em The Bloody Chamber ela promove a ruptura, o vinho novo estilhaça a velha garrafa e efectua o truque com toda a mestria de quem admira o original e sabe usá-lo para criar novas vozes, novas histórias e fascínios de vastas ressonâncias.

resenha originalmente publicada em Junho de 2011 na Bang! 10

 

 

 

A simbólica do espaço em O Senhor dos Anéis - Há certos pressupostos e fundamentos que alicerçam qualquer análise literária. A exposição teórica apresentada por Maria do Rosário Monteiro, complementada por diversas notas, não se limita a um essencial asséptico e desinteressante. Antes apresenta-se como um exórdio estimulante à obra (e por vezes vida) de Tolkien, traçando ainda uma introdução ao fantástico tão sucinta quanto indispensável a quem quiser compreender o género.

Por outro lado, a integração de O Senhor dos Anéis num contexto literário, histórico e cultural, nunca desmerecendo a sua recepção em Portugal, nem a forma como o fantástico se desenvolveu no nosso país, alarga o espectro de influência do trabalho. E a constante preocupação em determinar objectivos e sistematizar eventos e explicações, ajuda a compreender melhor os aspectos em análise. Este é um texto de  grande consistência e clareza.

A exploração dos símbolos que alimentam e consolidam O Senhor dos Anéis acompanha o percurso dos vários elementos da Irmandade do Anel. Começando com os acontecimentos que antecedem o fim da Terceira Era e tendo presente os eventos que conduzirão à Quarta Era e suas consequências, progride-se de espaço em espaço até à destruição do Anel no vulcão Orodruin. A cuidada explanação urdida por Maria do Rosário Monteiro permite perceber a obra de Tolkien por novos prismas, contribuindo para uma leitura mais rica e completa deste autor.

O livro oferece ainda uma conclusão que, mais do que resumir os capítulos anteriores, alerta de forma crítica e consciente para a actual situação da cultura portuguesa, especialmente para o modo errado com que se tem encarado e entendido o fantástico.

Maria do Rosário Monteiro criou uma obra essencial para qualquer leitor activo de O Senhor dos Anéis, para todos os estudiosos de Tolkien, para quem lida com o fantástico. E a ampla bibliografia apresentada permite que este seja apenas o início de uma vasta viagem.

 resenha originalmente publicada em Fevereiro de 2011 na Bang! 9

 

Sonho Febril - Em Abril de 1857, na cidade americana de St. Louis, Abner Marsh encontra-se com Joshua York e tornam-se sócios na companhia de barcos a vapor de Marsh. Desta parceria resulta um barco sumptuoso, talvez o mais rápido do Mississípi: o Fevre Dream. Entretanto, em Nova Orleães, o grupo liderado por Damon Julian apazigua a sede de sangue.

Num livro publicado originalmente em 1982, George R. R. Martin explora um tema que nos últimos anos tem sido demasiado utilizado de forma pouco louvável e ainda menos estimulante: o imaginário vampírico. Martin sabe reutilizar os mitos e criar uma abordagem inovadora, onde se descobrem alguns conceitos em voga nas produções actuais e que apresenta uma explicação científica das características vampíricas particularmente interessante. Há contudo alguma dificuldade em equilibrar as contradições morais do povo da noite. O confronto ocorre mais entre racionalidade e bestialidade do que entre bem e mal, mas Martin não parece conceber uma coexistência dos dois aspectos. Para que um emirja, o outro reduz-se à quase nulidade. As personagens que optam pela razão revelam-se assim fracas e vulneráveis ao comando de quem escolhe o outro lado. Fora desta luta de vontades encontra-se Marsh, dotado de todo o encanto dos rezingões pragmáticos e resilientes com uma honestidade inabalável, força que conduz o livro e o suporta, enriquecendo-o com a sua paixão pelos barcos a vapor e a vida do rio.

Martin nunca hesita em destruir sonhos ou sacrificar personagens, conduzindo a narrativa por caminhos não totalmente felizes, mas muito mais verosímeis. O enredo consegue sempre aliciar embora a primeira parte se revele claramente superior à segunda. Martin controla melhor o ritmo na primeira metade, utilizando a linguagem para criar uma ambiência sugestiva das duas realidades em confronto: o luxo elegante do Fevre Dream e a decadência da plantação de Julian. A repetição de determinados vocábulos ajuda também a establecer um contexto e uma imagética, mas tudo isto desaparece com o galopar da acção na segunda metade. Ainda assim, Sonho Febril é uma obra inteligente e cativante que perdurará na imaginação do leitor muito mais do que alguns dos seus sucedâneos recentes.

resenha originalmente publicada em Fevereiro de 2011 na Bang! 9

 

 

 

O Leão de Oz – Nove anos depois dos acontecimentos de O Herdeiro de Oz, os Mavórticos da Cidade Esmeralda e o exército do Estado Livre da Munchkilândia convergem para terreno próximo do convento de Santa Glinda. O Relógio do Dragão do Tempo circula pelas redondezas e Brr, o Leão Cobarde, chega ao convento para interrogar a velha madre Yackle.

Brr é um protagonista consideravelmente mais vigoroso do que Liir, ainda que igualmente perdido. O Leão nunca sabe bem onde ir ou como proceder. Parece ter uma tendência natural para tecer raciocínios errados e optar pelas vias menos apropriadas à ocasião, o que lhe confere uma certa aura tragicómica. Primeiro considerado um familiar da Bruxa, depois um colaboracionista do Feiticeiro, Brr nunca é deliberadamente um ou outro. Aliás, numa constante busca por aprovação e integração, alheia-se demasiado do contexto sociopolítico que o rodeia. Gregory Maguire utiliza essa inconsciência para abordar a  história e política de Oz por um outro ponto de vista, promovendo novas reflexões e dotando Oz de mais tonalidades e texturas.

Maguire sabe gerir o enredo, ainda que não o conduza pelos caminhos mais óbvios face ao livro anterior. De facto, O Leão de Oz estabelece um diálogo mais directo com A Bruxa de Oz do que com O Herdeiro de Oz. Embora sejam introduzidas novas personagens as suas narrativas revelam-se incompletas e a sua importância mais episódica do que duradoura. O enfoque é no que já foi, nas personagens que suscitaram mais dúvidas e curiosidade no primeiro livro. Se Maguire sempre foi exímio em levantar hipóteses cuja verificação parece provável mas nunca acontece, aqui começa a definir respostas enquanto cria mais mistérios.

O Leão de Oz reaproxima-se do encanto sombrio de A Bruxa de Oz, mas continua a faltar-lhe alguma magia. Veremos o que sucede na anunciada quarta incursão pelas terras de Oz.

 resenha originalmente publicada em Outubro de 2010 na Bang! 8

 

A morte de um caixeiro viajante – Escrita por Arthur Miller, estreou pela primeira vez a 10 de Fevereiro de 1949 no Morosco Theatre e ganhou logo nesse ano o Pulitzer para melhor drama e o Tony e o New York Drama Critic's Circle para melhor peça. Gonçalo Amorim encena-a agora para o TEP numa produção em diálogo com a que António Pedro ensaiou também para o TEP em 1954.  O texto assombra desde os primeiros momentos e a sensação perdura muito para além do cair do pano. Embrenhados na mente de Willy Loman, quase penetrando a sua corrente de consciência, vamos descobrindo presente e passado, prevendo o futuro, reajustando a previsão e alterando-a de novo. A cidade possibilita a concretização dos sonhos de sucesso, renome, fortuna, mas apenas para alguns, para os que se integram no sistema e jogam de acordo com as suas regras. Aos outros arrasta-os na torrente, atormenta-os, consome-os. O campo, encarnação da pureza e de uma certa forma de liberdade, surge como salvação possível, mas ainda assim incerta. Não existe paz ou conforto, as casas ficam vazias e, qualquer que seja a escolha das personagens, o futuro permanece instável. A encenação de Amorim prolonga e evidencia o texto de Miller, não incorrendo no erro das interpretações fáceis e definitivas. De destacar também o trabalho de Maria João Pinho como Linda Loman. Para ver até 17 de Outubro no Auditório Municipal de Gaia e em Fevereiro no Teatro Municipal São Luiz.

Outubro de 2010

 

 

 

American Gods – Se uma divindade ganhar vida por se crer nela, então os EUA estarão repletos de todas as entidades em que os seus habitantes algum dia acreditaram ou acreditam. Qualquer descobridor, aventureiro, colono que tenha pisado terras norte-americanas deixou a sua marca, as suas superstições e crenças materializadas em formas aparentemente humanas. Contudo a América é uma terra adversa aos deuses, um local onde a existência lhes é difícil. Sobrevivem há séculos arrastando-se, adaptando-se, recorrendo a subterfúgios, artimanhas e empregos que lhes permitem utilizar algumas habilidades e características inatas. Mantêm-se em recantos, redutos algo decadentes, afastados dos novos pares: divindades da internet, da televisão, das autoestradas, dos cartões de crédito, deuses todo-poderosos, porém igualmente susceptíveis de serem esquecidos e ultrapassados. Aproxima-se uma tempestade que ameaça arruinar o equilíbrio precário; é uma época para decisões. Shadow, o protagonista, acabado de sair da prisão e confrontado com a impossibilidade de concretizar o que planeara, vê-se envolvido em toda a situação pelo seu novo patrão, alguém que se auto-intitula Wednesday. Por entre viagens pelos EUA, encontros e jogos com os deuses, Shadow acabará por se afeiçoar às hostes antigas e reencontrar-se. Mas os deuses, qualquer que seja o tempo ou a incarnação, conservam as suas particularidades, múltiplos interesses, patranhas, esquemas pessoais. Nada é o que parece. Neil Gaiman, exímio contador de histórias, urdiu uma trama explanada com calma, nos tempos certos, onde as reviravoltas se integram e fundem no ritmo idealmente compassado da narrativa. Há detalhes, histórias paralelas, ideias dentro de outras e níveis com subníveis encrostados nas várias camadas do livro. Uma odisseia épica, longe dos estereótipos habituais do género, de publicação recente em Portugal. Em inglês pode ser encontrado tanto numa edição da Harper Collins como da Headline Review. Venceu em 2002 os prémios Hugo, Nebula e Bram Stoker para melhor romance.

Novembro de 2009

 

Chamada para a Morte – Esquecendo se pertence ou não aos melhores da filmografia de Hitchcock, este é um favorito pessoal. O enredo inicial resume-se sem dificuldade. Tony Wendice (Ray Milland), um antigo tenista,  casou com a próspera Margot (Grace Kelly) há já alguns anos. Ela manteve uma relação com o escritor de policiais norte-americano Mark Halliday (Robert Cummings), mas acabaram por se afastar. Reencontram-se no início da história e Tony decide concretizar um plano que arquitecta há um ano: matar Margot e ficar com a fortuna. Para tal chantageia um antigo colega de universidade (Anthony Dawson) já há muito embrenhado no mundo do crime. Acertam os detalhes. É o crime perfeito, até que Margot foge ao guião que lhe tinham traçado. Frederick Knott elaborou o argumento de Dial M for Murder baseando-se na sua peça homónima, e talvez por isso o filme esteja tão envolto em teatralidade.  Não me refiro a uma pantomina exagerada e risível, mas à sensação de que se assiste a uma peça de teatro. A trama movimenta-se por apenas quatro espaços definidos: o apartamento do casal (com maior relevo para a sala), um clube de cavalheiros, alguns planos da rua frente ao prédio e uma esquemática sala de tribunal. Cria-se um ambiente tenso, algo claustrofóbico, os acontecimentos precipitam-se, a catástrofe anuncia-se, e no fim tudo se limita a um pormenor. Em 1998 Andrew Davis realizou um remake com Michael Douglas, Gwyneth Paltrow e Viggo Mortensen: Um Homicídio Perfeito. Adaptado para os nossos dias, enche-se de complexidade insuflada, retira alguns dos aspectos mais interessantes do filme em que se apoia, acrescenta elementos vistosos mas pouco relevantes, acaba convertido num simples filme comercial, repleto de voltas e reviravoltas, agradável e funcional, que se vê sem esforço e no qual o suspense resulta de meros artifícios usados repetidas vezes nas mais diversas películas. Discorde quem quiser, eu prefiro o original.

Julho de 2009

 

 

 

O Futuro à Janela – Talvez o fascínio residisse algures na combinação da janela do Convento de Cristo com um robot apenas parcialmente visível, que parece tanto espiar quanto contemplar num quase tímido, porém absoluto interesse. Embora falhe em precisar a origem da atracção a verdade é que esta capa me encantou a infância, mais do que janela parecia-me porta. Terem determinado que era demasiado nova para ler o livro apenas espicaçou a curiosidade. Quando por fim o abri, descobri um conteúdo bem distinto do que a imaginação pueril me anunciava ante a contemplação da capa. Deduzir a partir de invólucros tende a resultar em equívocos, o que não é de modo algum sinónimo obrigatório de desilusão. Escrito por Luís Filipe Silva e constituído por onze contos e um poema, foi o vencedor em 1991 do Prémio Caminho de Ficção Científica. Seria editado nesse ano pela Editorial Caminho na estimulante e tristemente extinta Colecção Azul. O Círculo de Leitores reeditá-lo-ia em 1998 numa colecção dedicada a jovens escritores portugueses. Luís Filipe Silva é um autor não só imaginativo como rigoroso, mordaz nas devidas alturas e ciente da necessidade e conveniência da boa utilização do português. De facto, a sua escrita não se limita a uma conjugação de termos funcional e escorreita, daquelas que servem para a história sem contudo a enriquecerem. Pelo contrário, os seus textos são de uma grande literacia, com preocupações de ritmo e forma, que conduzem as narrativas a um outro patamar. Os contos de O Futuro à Janela vão dos curtos aos mais extensos, de uma certa sátira brincalhona a uma seriedade sombria laivada de pesadelo e estranhamente elegante. Se o fantástico aflora em algumas histórias, a ficção científica impõe-se na maioria. Este é um termo que ultimamente parece gerar uma reacção alérgica no público. Custa-me entender porquê. A ficção científica abre tantos universos quanto o fantástico, expande-se e alarga-nos as capacidades noutras direcções. A atribuição de rótulos, muito útil para ajudar a uma identificação e escolha imediatas, serve também de repelente, afasta pessoas de descobertas estimulantes e enriquecedoras. Durante muito tempo declarei sem rodeios as minhas reservas ao horror/terror. Quando insisti, encontrei enredos, narrativas, técnicas que me interessam. É necessário aventurarmo-nos, tentar, dar uma hipótese, permitirmo-nos sermos surpreendidos. Ganhe-se ímpeto e abra-se um livro de ficção científica. Este, O Futuro à Janela, encontra-se disponível num e-book gratuito.

Abril de 2009

 

Bones – Esclareça-se desde o início: não é a melhor série alguma vez produzida, contudo é das melhores a conjugar ciência forense e investigação criminal. Criada por Hart Hanson com base nos livros policiais da antropóloga forense Kathy Reichs, desenvolve-se em redor da Drª Temperance Bones Brennan (Emily Deschanel), do agente do FBI Seeley Booth (David Boreanaz) e da equipa de cientistas que os auxilia na resolução dos casos. Sejam estes mais ou menos atractivos, os episódios cativam sempre, gerindo bem o ritmo do enredo e alternando na devida conta o humor com a seriedade de muitas das situações. A dupla de protagonistas, de uma cumplicidade pouco sentimentalista, constitui outro dos grandes trunfos da série. Brennan é racional e objectiva, Booth emotivo e intuitivo, um católico praticante habituado a utilizar a indução no seu trabalho, enquanto ela, ateia inconvertível, não se permite avançar das provas para as suposições; factos são factos, o resto mera especulação insustentável. Kathy Reichs, produtora adjunta, contribuirá sem dúvida para a qualidade a nível científico e para uma boa exposição daquilo em que consiste o pensamento e a análise científicas.  Este é, de facto, um dos aspectos que mais me agradam na série, embora por vezes Brennan e alguns dos seus colegas sejam apresentados exageradamente como totais ignorantes no que à cultura pop se refere. Temperance Bones Brennan consegue mesmo assim ser uma personagem maravilhosa, uma mulher lúcida, crítica e pensadora da realidade que a rodeia, que não hesita em questionar ou expor as suas ideias e que adora discussões em que apenas são admissíveis a lógica e os argumentos empírica e concretamente comprováveis.

 Março de 2009

 

 

 

Fórum Fantástico – Na sua quinta edição, o evento realiza-se este ano entre 2 e 5 de Outubro na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa. Versando sempre vários subgéneros do fantástico (épico, non-sense, ficção científica, imaginário, horror, história alternativa…) desta vez a iniciativa estende-se a outras áreas para além da literatura, com especial enfoque no audiovisual. Serão projectadas diversas curtas-metragens com presença dos respectivos realizadores. Efectuar-se-á ainda uma homenagem ao cineasta e escritor António de Macedo. A restante programação inclui lançamentos e apresentações de livros, palestras, debates e muito mais. Quatro dias que se adivinham plenos de bons e enriquecedores momentos.

Setembro de 2008

 

A Bruxa de Oz – Primeiro livro do autor Gregory Maguire destinado a um público adulto, foi editado em 1995 sob o título Wicked: The Life and Times of the Wicked Witch of the West e é um dos melhores livros de fantasia que li nos últimos tempos. Reentra-se no mundo criado por Frank L. Baum em O Feiticeiro de Oz, mas desta vez pelo ponto de vista de Elphaba, a dita Bruxa Má do Oeste, mulher fascinante, peculiar e particular, que de forma quase obstinada insiste ser desprovida de alma. Seguindo a sua história, do nascimento aos anos universitários e ao inevitável encontro com Dorothy, o livro vagueia por entre política, filosofia, religião, no seu todo por uma reflexão que visa tanto a origem do mal como aquilo que somos, o que nos rodeia e a forma como a História se cria. Com o aproximar do desfecho, desponta a loucura da Bruxa, os seus gestos exagerados e obcecados. É, contudo, um fim precipitado, de ritmo demasiado apressado, que se converte na grande falha da obra.

Dez anos após a publicação de Wicked, Maguire editou a continuação: Son of a Witch (em português, O Herdeiro de Oz), igualmente cativante e merecedor de atenção, mas já sem algum do poder encantatório do original. A trilogia ficará completa este Outono, com o anunciado A Lion Among Men.

Julho de 2008

 

 

 

Wicked – Com libreto de Winnie Holzman e música e letras de Stephen Schwartz é a adaptação a musical da obra homónima de Gregory Maguire. Estreou na Broadway na noite anterior ao Halloween de 2003, tendo internacionalmente apresentações regulares em Londres, Tokyo, Estugarda e Melbourne. Vi-o há alguns meses em Londres, interpretado por um muito recomendável elenco encabeçado por Kerry Ellis e Dianne Pilkington. Ainda não lera o livro e a experiência daquela noite fez-me regressar com o interesse espicaçado. Não demorei a saciá-lo e, contrariamente ao que é habitual, gostei de conhecer primeiro a adaptação e depois o original; evitou que me aborrecesse com as alterações feitas ao livro em prol da transposição para a linguagem típica dos musicais. As duas obras têm diferenças substanciais de enredo e caracterização de personagens. O enfoque distinto de uma e de outra está aliás bem patente nos subtítulos. Se no trabalho de Maguire se lê The Life and Times of the Wicked Witch of the West, no musical figura The Untold Story of the Witches of Oz. Converteu-se a ideia base numa bem-intencionada história de amizade improvável, ainda com a sombra de uma ditadura, mas com todas as questões do livro atenuadas e simplificadas. O próprio fim é condescendente, modificado para talvez melhor agradar à audiência infanto-juvenil que comparece aos espectáculos mascarada de Glinda ou Elphaba. Wicked: The Untold Story of the Witches of Oz é um musical competente e agradável se encarado independentemente do livro em que se baseia, e uma certa distância nestes casos é sempre aconselhável. Fala-se numa adaptação do musical a filme. Preferiria sem dúvida uma transposição do livro, mas a primeira hipótese é de mais fácil digestão.

Julho de 2008

 

Bang! – Após os três primeiros números editados em formato convencional, a Bang! passou a estar disponível on-line gratuitamente. A aposta continua a ser englobar diversos temas e subgéneros do Fantástico, expondo-os em contos, ensaios, resenhas e entrevistas. O número quatro, lançado há pouco tempo, contém uma história minha: A Encomenda. Trata-se de uma incursão a um tipo de Fantástico distinto do abordado na trilogia. Aos possíveis curiosos, está feito o convite.

Maio de 2008

 

 

 

Olho de Gato – Publicado pela primeira vez em 1988 é considerado por muitos o romance mais autobiográfico da canadiana Margaret Atwood, embora a autora seja categórica ao afirmar que este é um livro de ficção, não uma autobiografia. Tenho as minhas previsíveis inclinações sobre o assunto. De qualquer forma, o livro é bem mais importante do que as muito batidas e nem sempre válidas questões das influências. A história é narrada por Elaine Risley, pintora, mãe, mulher, filha, outrora criança numa Toronto que a atormentou e donde fugiu. Vários anos decorridos, regressa para uma retrospectiva do seu trabalho. Percorrendo de novo os espaços de Toronto, tão mudados fisicamente e para Elaine ainda a exalar as mesmas sensações, a trama ganha forma, começando na infância da protagonista e avançando até ao presente narrativo. São as memórias de Elaine, o que ela recorda e como o recorda. Muito me surpreendeu neste livro, desde a escrita vibrante e a seu modo onírica até às diversas temáticas que continuam a rodear-nos e mantêm a obra actual. Uma pena que já não se consiga encontrar a edição portuguesa à venda.

Dezembro de 2007

 

Katie Melua – Descobri esta cantora por mero acaso e as suas músicas e voz depressa me cativaram. As canções têm algumas sonoridades de jazz e mantêm um bom equilíbrio entre melodias calmas e mais movimentadas, sem incorrerem em exageros eufóricos, a que Katie Melua atribui uma entoação suave, mas sempre enérgica e vivaz. Melua nasceu em 1984 e estudou na Brit School of Performing Arts, tendo-se formado em Julho de 2003. Em Novembro desse ano saiu o seu primeiro CD – Call off the Search – seguido em Setembro de 2005 por Piece by Piece. Em Abril deste ano tinha ganhado o Best Internacional Newcomer nos prémios alemães ECHO. Para Outubro de 2007 está já agendado o lançamento de mais um álbum: Pictures.

Julho de 2007

 

 

 

Festival de Jardins de Ponte de Lima – Realiza-se pela terceira vez este ano, tendo como tema O Lixo na Arte dos Jardins e pode ser apreciado até Outubro. O recinto, situado ao lado da piscina municipal, está dividido em doze parcelas, onze reservadas aos finalistas deste ano e uma ao jardim vencedor da edição anterior. Existem jardins para quase todos os gostos, mais ou menos relacionados com o tema, mais ou menos conseguidos, mas sempre constituindo uma experiência interessante. No final do percurso, os visitantes são convidados a votar no jardim de que mais gostaram. O que acumular mais votos estará presente no Festival do próximo ano, que já tem tema: Energias no Jardim. Fica a sugestão para um passeio por um conceito diferente de jardim.

Julho de 2007

 

Roma – Uma parceria da HBO com a BBC rodada nos lendários estúdios da Cinecittá, em Roma, as duas épocas da série traçam a queda da República romana e a ascensão do Império. A primeira temporada acaba com a morte de Júlio César e a segunda retoma a acção nesse ponto e segue o percurso de Marco António e Octávio. Ao mesmo tempo e com a mesma relevância, tal como acontecera na primeira temporada, acompanha as peripécias e desventuras de Lucius Vorenus e Titus Pullo, dois antigos soldados da 13ª legião que, de alguma forma, se entranham constantemente nos destinos de Roma. O impressionante e cativante enredo resulta de uma combinação bem proporcionada de intrigas políticas, acontecimentos de alcova, acasos, interesses contrários e uma jogatina muito pouco escrupulosa por parte das personagens para atingirem o que desejam e mais lhes convém. Os criadores da série são Bruno Heller, William Macdonald e John Milius (um dos argumentistas de Apocalypse Now). Visualmente muito rica e cuidada, Roma dá a conhecer um lado mais cru, sujo e provavelmente realista da sociedade romana, que muitas vezes se perde na parafernália de Hollywood. Todo o elenco tem uma prestação acima do normal, mas não posso evitar frisar o trabalho de Max Pirkis como o jovem Octávio, Ciarán Hinds no papel de César e Polly Walker como a impetuosa Átia, mãe de Octávio e sobrinha de César.

Julho de 2007

 

 

 

À Manhã – A peça, uma co-produção do Teatro Meridional e do São Luiz Teatro Municipal com texto de José Luís Peixoto, encenação de Natália Luiza e Miguel Seabra, e cenários de Rui Francisco, leva-nos ao Alentejo. Não apenas ao Alentejo dourado, calmo, vivendo num ritmo e convivência próprios, mas também ao linguístico, aos “bocanços” e às conversas de ombreira de porta. Aqui fala-se de tudo e de nada, de solidão e esperança, de passado e um pouco de futuro, e sai-se do espectáculo confortado, porventura silencioso, sorridente. Como dizia alguém quando o pano caiu: é uma delícia.

Junho de 2007

 

His Dark Materials – Composta por Os Reinos do Norte, A Torre dos Anjos e O Telescópio de Âmbar, é sem dúvida a obra mais conhecida de Philip Pullman. A trilogia começou a ser publicada no Reino Unido em 1995 e desde então foi já adaptada ao teatro por diversas vezes. Este ano, em Dezembro, chegará a transposição cinematográfica; dificilmente se poderá equiparar aos livros, mas acalento a esperança de que conserve, pelo menos, a essência de uma ideia tão genial quanto ousada. Os livros, premiados por diversas vezes, são a prova de que ciência e fantástico combinam. Mas não é apenas a história que fascina, também as personagens, obrigando-nos constantemente a redefinir o que julgamos saber delas, nos agarram à trama. Apesar de protagonizado por crianças, não se limita a um público infanto-juvenil; talvez seja até mais interessante para um adulto. Contudo, acima de tudo, é um excelente livro e, como todos os que se integram nessa categoria, não está sujeito a restrições de tipo, género ou idade.

Junho de 2007

 

 

 

Manuel Araújo – Nascido em 1983, em Vila Nova de Gaia, este pianista iniciou os estudos musicais aos cinco anos com os professores Norma Graça-Silvestre e Felipe Nabuco Silvestre. Diplomou-se em 2005 sob a orientação de Aquiles Delle Vigne, com quem trabalhou posteriormente como professor assistente e com quem está a preparar o mestrado na Codarts – Universidade das Artes de Roterdão. Foi distinguido com diversos prémios, tanto nacionais como internacionais, e participou em várias masterclasses onde teve a oportunidade de contactar com reputados professores e intérpretes. Iniciou a carreira de concertista profissional em 2000, após obter por unanimidade o 1º Prémio Nacional de Jovens Pianistas da Fundação Rotária Portuguesa, presidido e dedicado a Helena Sá e Costa. Desde então, actuou em Portugal, Itália, Bélgica, Holanda, Brasil e Macedónia. Para 2006/2007 estão previstos concertos em todas as cidades holandesas e em S. Petersburgo, numa parceria com o coreógrafo Ton Simons e a companhia Dance Works, em que interpretará catorze Prelúdios e Fugas do primeiro livro de Cravo Bem Temperado de Bach. No passado dia dezoito de Março, deu um concerto de despedida do Inverno na Fundação de Serralves. Há muitos anos que lhe conheço (e reconheço) o virtuosismo, mas naquele domingo a sua interpretação do Trois mouvements de Pétrouchka de Stravinsky conseguiu mais do que cativar-me: encantou-me. Correndo, talvez, o risco da parcialidade, aplaudo de pé. Bravo. Espero, não sem um pouco de ansiedade, pelos próximos concertos.

Abril de 2007

 

Cats – Adaptado da obra de T. S. Eliot Old Possum’s Book of Pratical Cats, é um dos musicais de Andrew Lloyd Webber mais amados e aplaudidos. Estreou em 1981, em Londres, e foi diversas vezes distinguido como Melhor Musical. Para além de sete Tony Awards (1983) ganhou prémios em França, Canadá e Japão, entre outros. Ao longo do espectáculo são-nos apresentados os Jellicle, uma comunidade de gatos tão peculiar quanto qualquer outra sociedade. As músicas que os introduzem e caracterizam têm maravilhado milhões e é provável que o continuem a fazer. Eu, pelo menos, não me esquecerei de Memory, nem de muitas outras.

Abril de 2007

 

 

 

Exposição Star Wars – Depois de São Francisco, Milão e Paris, o universo Star Wars chega a terras lusas, primeiro ao Museu da Electricidade, em Lisboa, e depois à Exponor, no Porto. Desconhecendo a forma como a exposição foi organizada no Porto, o espaço escolhido em Lisboa pareceu-me ideal para apresentar Star Wars aos portugueses. A arquitectura do museu fundia-se com os cenários da saga e não era difícil imaginar que estávamos nas entranhas das fábricas de Geonosis, ou nos recônditos da Estrela da Morte. Uma exposição a não perder por todos os fãs da série e pelos que se predispuserem a conhecer este mundo de muitos mundos.

Março de 2007

 

Câmara Clara – Todos os domingos à noite, na RTP2, Paula Moura Pinheiro conduz uma conversa sobre os mais variados assuntos. A cada programa está associada uma temática que os convidados irão explanar e explorar, levando muitas vezes o espectador para uma autêntica descoberta e aventura cultural. Pequenas peças sobre diversos eventos ligados às artes completam e, por vezes, apimentam os diálogos. Destaque ainda para o cenário simples e de tons agradáveis que se articula com o bom ambiente das conversas e as propicia.

Março de 2007

 

 

 

Sergei Rachmaninoff – complete works for two pianos – Poucos compositores me conseguem sugerir imagens (e histórias) tão assídua e insistentemente quanto Rachmaninoff. As melodias são frequentemente tempestuosas, por vezes atormentadas, a tempos algo melancólicas, quase nostálgicas, sempre inebriantes. Compositor russo de finais do séc. XIX e início do séc. XX, Rachmaninoff bebia inspiração de diversas fontes, entre elas a poesia, algo patente em alguns dos títulos das suas obras. Era não só um extraordinário compositor como também um exímio intérprete, tendo ganho a admiração e protecção de Tchaikovsky. As suas peças revestem-se de uma conhecida dificuldade técnica, mas igualmente de uma beleza inegável. Este CD reúne os seus trabalhos para dois pianos, interpretados pelo casal Nina Schumann e Luís Magalhães, ambos vencedores de diversos prémios e professores no Departamento de Música da Universidade de Stellenbosch, na África do Sul. Juntos formam o duo Magalhães-Schumann que tem actuado em diversos países.

Fevereiro de 2007

 

Magnólia – Este é possivelmente o meu filme favorito. Realizado por Paul Thomas Anderson é uma história de desencontros, coincidências (ou talvez não) e encontros. Dez personagens chocarão umas com as outras, cruzar-se-ão e verão o passado surgir-lhes à frente, exigindo-lhes o presente. Intenso e marcado por excelentes interpretações de um elenco exemplar, é um filme onde as emoções se insinuam com força crescente, ao som de uma banda sonora que prolonga as personagens.

Setembro de 2006

 

 

 

 

 

 

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